Como fazer PEI (Plano Educacional Individualizado): partes, lei e exemplo pronto
Leitura de uns 10 minutos. Inclui um PEI fictício preenchido, para copiar, e um checklist.
Conselho de classe de abril. A coordenadora pergunta: "Qual é o PEI do Lucas?". Você olha para a pasta, depois para a professora do AEE, depois para a pasta de novo. Cada um sabe um pedaço do que a escola faz pelo aluno, e nada disso está num lugar só.
É para isso que o PEI serve. Plano Educacional Individualizado é o documento que reúne, para um aluno, o que a escola combinou: onde ele está, aonde se quer chegar, que apoios entram e como o progresso vai ser visto. Escrito por uma pessoa sozinha, vira papelada. Escrito pela equipe, vira o combinado que todo mundo consulta.
Este guia mostra as partes de um PEI, o que a legislação diz e um exemplo preenchido. Todo o exemplo é fictício, sem dado de criança real.
O que você vai conseguir fazer
- Entender o que é um PEI e quem participa dele.
- Saber o que a lei diz sobre o plano e sobre o laudo.
- Montar as cinco partes de um PEI a partir do que você já observa em sala.
- Copiar um exemplo preenchido e adaptar ao seu aluno.
- Sair daqui com o seu PEI em rascunho, para discutir com a equipe.
Neste guia
- O que é PEI e quem faz
- O que a lei diz
- As cinco partes de um PEI
- Exemplo pronto: PEI preenchido (aluno fictício)
- PEI, PAEE e adaptação de atividade
- Erros comuns e como trocar
- Como a ferramenta ajuda
- Checklist de conferência
- Perguntas frequentes

Figura 1. O PEI em um olhar: cinco partes, uma equipe.
1. O que é PEI e quem faz
O PEI é um documento pedagógico individual, construído pela equipe que acompanha o aluno. Ele registra os objetivos de aprendizagem, os apoios e as formas de avaliar para aquele estudante, dentro do currículo da turma e não em lugar dele.
Quem participa: o professor da sala comum, o professor do atendimento educacional especializado (AEE), a coordenação e a família. O próprio aluno também, sempre que possível: o que ele diz sobre o que ajuda vale registro. Cada um traz uma peça. Você conhece a rotina da sala, o AEE conhece os recursos e as estratégias, a coordenação cuida do encaixe na escola e a família sabe do aluno o que a escola nunca vai ver.
O PEI também não é laudo nem diagnóstico. Ele não descreve doença, descreve o que a escola vai fazer.
2. O que a lei diz
O Decreto nº 12.686, de 20 de outubro de 2025, institui a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva e a Rede Nacional de Educação Especial Inclusiva. Ele nomeia o PEI de forma expressa. Três pontos importam para o professor:
- O plano é obrigatório. O art. 12 torna obrigatória a elaboração de documento individualizado de natureza pedagógica, com atualização contínua, citando como exemplos o Plano de Atendimento Educacional Especializado (PAEE) e o PEI. O plano passa a compor o projeto político-pedagógico da escola.
- O plano nasce do estudo de caso. O art. 11 define o estudo de caso como a etapa que identifica barreiras, contexto, potencialidades e estratégias de acessibilidade do estudante, e diz que o resultado fundamenta o PAEE e o PEI. O envolvimento do estudante e dos familiares responsáveis pelo cuidado cotidiano deve ser garantido ao longo de todo o estudo de caso.
- O laudo não é condição. O mesmo art. 11 estabelece que a oferta do AEE não é condicionada à exigência de diagnóstico ou laudo emitido por profissional de saúde. A avaliação biopsicossocial pode entrar como documento subsidiário.
A redação atual desses artigos veio do Decreto nº 12.773, de 2025, que pôs o PEI ao lado do PAEE no estudo de caso e na obrigação do plano. O texto vigente está no Planalto (link em Fontes).
A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), no art. 28, inciso VII, já listava entre as obrigações do poder público o planejamento de estudo de caso e a elaboração de plano de atendimento educacional especializado, e o § 1º estende esses incisos às escolas particulares.
Na prática: o plano individualizado é parte do que a escola deve organizar, não um favor do professor nem um trabalho que sobra para você fazer sozinho num domingo.
3. As cinco partes de um PEI
Não existe um formulário único em todo o país. Cada rede tem o seu modelo, e o da sua escola vem primeiro. As cinco partes abaixo cobrem o que a maioria dos modelos pede.
1. Quem é o aluno e o que já sabe. Ano, turma, o que ele já faz bem, interesses, o que costuma ajudar e onde costuma travar. Escreva o que você observou, em frases concretas ("organiza a escrita quando recebe uma lista de passos"), e não rótulos ("é desatento"). Aqui entram as conversas com a família e o que o aluno conta.
2. Objetivos. Poucos, mensuráveis e ligados ao currículo da turma, para um período definido (um bimestre, por exemplo). "Melhorar na matemática" não serve. "Comparar frações com o mesmo denominador em atividades de até três passos" serve, porque dá para ver se aconteceu.
3. Estratégias e recursos. O que a equipe vai fazer para o aluno chegar lá: apoio visual, instruções em passos, tempo a mais, outro modo de responder, material concreto, atendimento no AEE. Diga quem faz cada coisa e onde. No guia sobre como adaptar atividade para aluno com autismo há estratégias para testar na sala.
4. Avaliação. Como a equipe vai saber se funcionou: quais evidências olhar (produções, observação, registros), com que frequência e quem registra. A avaliação do aluno mantém o objetivo da turma e muda o acesso. O guia Como elaborar prova mostra a mesma questão em três versões.
5. Revisão. Quando o plano será relido e quem convoca a reunião. Um PEI sem data de revisão envelhece na gaveta. Registre o que funcionou, o que não funcionou e o que muda.
4. Exemplo pronto: PEI preenchido (aluno fictício)
O exemplo é inventado e serve de modelo. Troque o conteúdo pelo que você observou no seu aluno, e use o formulário da sua rede quando houver.
PEI. 1º bimestre Aluno: Lucas (nome fictício) · 4º ano · Período: fevereiro a abril Equipe: professora regente, professora do AEE, coordenadora pedagógica, responsável pelo aluno
1. Quem é o aluno e o que já sabe Lê frases curtas com fluência. Gosta de trens e de montar com blocos. Resolve contas de adição com material concreto. Tem dificuldade para começar tarefas de vários comandos juntos e para organizar a escrita de textos longos. Acompanha melhor quando recebe a sequência da aula escrita e quando trabalha longe da porta. A responsável conta que em casa ele conclui tarefas quando tem uma lista para riscar.
2. Objetivos do bimestre (mesmos da turma, em etapas) a) Comparar frações com o mesmo denominador em atividades com até três passos. b) Escrever um parágrafo de cinco linhas com início, meio e fim, usando um roteiro de perguntas. c) Iniciar a tarefa em até cinco minutos depois do comando, com a lista de passos à vista.
3. Estratégias e recursos
- Sequência da aula escrita no quadro no início (professora regente).
- Comandos em passos curtos, um por linha, com caixa para marcar "Feito" (professora regente).
- Barras de fração e material concreto nas aulas de matemática (professora regente e AEE).
- Roteiro de perguntas para a escrita: quem, onde, o que aconteceu, como terminou (AEE e regente).
- Lugar fixo mais calmo, longe da porta (professora regente).
- Resposta oral ou por marcação quando o objetivo permitir (todos).
4. Avaliação Registro quinzenal em tabela: atividades feitas com apoio, atividades feitas sem apoio, tempo para começar. Duas produções por mês guardadas na pasta do aluno. Responsável: professora regente, com revisão da professora do AEE.
5. Revisão Reunião da equipe e da família na semana de 20 de abril. Pauta: o que o registro mostra, o que mantemos, o que trocamos. Convoca: coordenadora pedagógica.
Este plano é uma proposta. A equipe e a família discutem e decidem.

Figura 2. O exemplo em formato de página. Aluno fictício.
5. PEI, PAEE e adaptação de atividade
Três documentos e práticas se encontram, e vale não misturar:
- O PAEE (Plano de Atendimento Educacional Especializado) e o PEI aparecem lado a lado no decreto de 2025. Os dois derivam do estudo de caso e servem para orientar o trabalho na sala comum, o trabalho no AEE, as atividades colaborativas na escola e a articulação com outros setores (art. 12, § 2º).
- Na prática, as redes usam um nome, o outro ou os dois, e dividem a autoria de jeitos diferentes. O decreto manda que o PEI, ou instrumento parecido usado pela rede, siga as mesmas regras do PAEE (art. 12, § 3º).
- A atividade adaptada é o que você prepara no dia a dia, e deve conversar com o plano: mesmo objetivo da turma, caminho ajustado.
Se a sua escola tem os dois documentos, vale a equipe lê-los juntos para que não se contradigam.

Figura 3. Do estudo de caso à revisão. O ciclo se repete.
6. Erros comuns e como trocar
Esperar o laudo para começar. O laudo ajuda a equipe a entender o aluno, mas a oferta do AEE não depende dele. Troque por estudo de caso: observe, converse com a família e registre.
Escrever sozinho. Um PEI de uma pessoa só não é combinado de ninguém. Troque por uma reunião curta para montar o rascunho junto, e o rascunho vira ponto de partida.
Objetivo vago. "Desenvolver a autonomia" não diz como saber que aconteceu. Troque por "inicia a tarefa em até cinco minutos com a lista à vista".
Rótulo no lugar de observação. "É agitado" fecha a conversa. Troque por "levanta quando a tarefa passa de dez minutos sem pausa" e já se vê o que testar.
Plano sem data de revisão. Troque por uma data e um responsável pela convocação, escritos no próprio PEI.
7. Como a ferramenta ajuda
O trabalho que mais pesa é transformar o que você observou em texto organizado, para cada aluno, no meio do bimestre. Na ferramenta de PEI você escolhe PEI ou PDI, descreve as necessidades observadas e as metas, lista os apoios que já funcionam e a equipe envolvida (professor regente, professor do AEE, coordenação), e pode anexar um documento da escola como referência. Recebe um rascunho completo, abre em um editor para ajustar e baixa em PDF ou DOCX. Para preencher, descreva as situações pedagógicas sem nome completo, documentos ou detalhes clínicos do aluno, e complete a identificação depois, no documento da escola.
É um rascunho, e a decisão é da equipe. A ferramenta não faz diagnóstico, não substitui o laudo quando ele existe e não substitui o currículo da turma. A IA sugere, a equipe discute e decide.
Já sabe o que observou e falta organizar? A página em branco é a parte mais lenta. Informe as necessidades, as metas e a equipe e receba um rascunho de PEI para levar à reunião. Você edita, a equipe decide. O cadastro é gratuito, e o plano gratuito traz 100 créditos por dia, sem cartão.
8. Checklist de conferência
Marque antes de levar o PEI à reunião:
- A equipe participou: regente, AEE, coordenação e família.
- A seção "quem é o aluno" traz observações concretas, sem rótulos.
- Os objetivos são poucos, medíveis e ligados ao currículo da turma.
- Cada estratégia diz quem faz e onde.
- A avaliação diz o que olhar, com que frequência e quem registra.
- Há data de revisão e alguém que convoca.
- O documento não traz diagnóstico nem informação médica que a família não autorizou.
- O texto do rascunho foi relido por inteiro e ajustado ao aluno real.
- A família recebeu o plano em linguagem que entende.
- O PEI conversa com o plano do AEE, quando existe.
9. Perguntas frequentes
Como fazer PEI (Plano Educacional Individualizado)? Reúna a equipe (regente, AEE, coordenação e família) e registre cinco partes: quem é o aluno e o que já sabe, objetivos, estratégias e recursos, avaliação e revisão. Parta da observação, escreva poucos objetivos mensuráveis e marque uma data para reler o plano.
Quem faz o PEI? A equipe que acompanha o aluno: professor da sala comum, professor do AEE, coordenação e família, com a participação do próprio estudante sempre que possível. O professor traz o que observa na sala, mas o documento é coletivo, e não tarefa de uma pessoa só.
Precisa de laudo para fazer o PEI? O Decreto 12.686/2025 diz que a oferta do AEE não é condicionada a diagnóstico ou laudo, e que o plano nasce do estudo de caso. O laudo e a avaliação biopsicossocial podem ajudar a equipe, mas o ponto de partida é a observação pedagógica. Procedimentos locais variam, então veja o que a sua rede orienta.
PEI e PDI são a mesma coisa? Os nomes variam entre redes e escolas, e os dois descrevem um plano individual para o aluno. O PEI é o termo que aparece no decreto de 2025. Se a sua rede usa PDI ou outro nome, use o formato dela, e o conteúdo das cinco partes continua útil.
Posso usar IA para fazer o PEI? Pode, como rascunho. Você informa o que observou, as metas e a equipe, recebe uma sugestão e a leva para discutir. A equipe revisa cada parte e decide o que entra, porque ninguém conhece aquele aluno melhor do que quem convive com ele.
Fontes
- BRASIL. Decreto nº 12.686, de 20 de outubro de 2025. Institui a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva e a Rede Nacional de Educação Especial Inclusiva. Arts. 11 e 12. Planalto. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/decreto/d12686.htm. Consultado em 01/11/2026.
- BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Art. 28, VII e § 1º. Planalto. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm. Consultado em 01/11/2026.
Leia a seguir
- Adaptação: Como adaptar atividade para aluno com autismo
- Ferramenta: Gerar uma atividade adaptada
- Avaliação: Como elaborar prova
- Ferramenta: Montar um rascunho de PEI